Prólogo - A HISTÓRIA DA BICICLETA E DO CICLISMO ESPORTIVO
O objetivo deste capítulo é examinar o papel da bicicleta: seu desenvolvimento histórico, tecnológico e seu efeito na nossa sociedade. Embora expor, em poucas linhas, um veículo com mais de duzentos anos não seja tarefa muito fácil, ela é imperativa, visto que nas várias tabelas cronológicas não existem registros ou menções à bicicleta, o que consideramos um grande equívoco. Um outro fato é a difícil tarefa de promover uma afirmação histórica, já que muitos autores europeus e pesquisadores do tema registram suas posições pessoais. Não é raro encontrarmos citações cronológicas muito diferentes para um mesmo fato. Outro grande problema é o registro de patentes que, em alguns casos, geram conflitos com relação ao inventor, datas e locais.
Barão Von Drais em seu invento
A idéia de um veículo com duas rodas propulsado por esforço muscular é bastante antiga, no entanto, o crédito da invenção da primeira bicicleta não é consensual. Documentos e testemunhos antigos revelam os antigos anseios do homem em se libertar da ajuda animal como tração. Uma representação desse desejo foi encontrada na China e na Índia, contudo, os registros mais impressionantes são baixos-relevos e hieróglifos figurativos do Egito de Ramsés II (Luxor e Heliópolis), da Babilônia e de afrescos de Pompéia.
Um símbolo da antiga idéia da bicicleta pode ser visto em um vitral na igreja inglesa de Stoke Poges. Um desenho de 1418 retrata um veículo em forma de caixa com quatro rodas que o autor, Dr. Giovanni di Fontana, dizia ser um veículo que se movia sozinho. Alguns atribuem a idéia da bicicleta a Leonardo da Vinci, pois um dos seus esboços, de 1490, retratava um veículo muito semelhante à bicicleta; existe a hipótese de que este desenho seja de autoria do seu aluno, Giacomo Capritti, em 1493. Teoricamente, ele pode ter sido o primeiro homem conhecido a desenhar uma bicicleta , mas o projeto ficou somente no papel e, nos dias atuais, existem motivos de descrença quanto a sua originalidade. A figura representada no papel preconizava uma máquina dotada de pedais com tração por meio de corrente. Os manuscritos no qual o original foi encontrado foram restaurados por monges italianos em 1966. Muitos historiadores colocam em dúvida a legitimidade dos desenhos, entre eles Robert Van Der Plas, famoso autor de vários livros sobre bicicleta. Van Der Plas afirma, ainda, que nem mesmo De Sivrac, de quem falaremos mais à frente, teria construído um invento parecido com o deste manuscrito restaurado. Por sua vez, os registros das primeiras patentes e dos primeiros modelos construídos datam dos finais do século XVIII e do princípio do século seguinte. Estes modelos representavam veículos de duas rodas em linha com um assento entre elas e com um guiador à frente, porém ainda sem pedais. Além disso, o filósofo inglês Roger Bacon, no século XII, dizia que haveria no futuro uma máquina que se movimentaria somente com a força humana. No século XVI, o jesuíta italiano Frei Ricius, que voltava de uma viagem à China, alegou ter visto uma máquina parecida com uma carroça, com duas rodas de bambu, impulsionada por alavancas sob a força dos pés de seu condutor.
A grande polêmica existente entre alguns pesquisadores europeus sobre o mérito da invenção do "engenho", precursor da bicicleta, está focada nos alemães, franceses e ingleses . Em 1790, o Conde de Sivrac, nobre francês, inventou o Célerifère, mas esta data não consta no Atlas Histórico Mundial. De Sivrac é considerado o criador de um veículo primitivo sem movimento de direção, o que o desqualificaria para o título de inventor da bicicleta. Não obstante, há que se levar em conta o fato de que na época de De Sivrac não existia nada que tornasse viável o movimento central. O primeiro ancestral da bicicleta de duas rodas era na verdade um "cavalo" de madeira, no qual o cavaleiro movimentava seus pés para trás contra o solo, não só para impulsionar o veículo, mas também para se equilibrar.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
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